Vertentes Criativas:
Em 2006 eu tinha 16 anos de idade. Acho que eu estava no ensino médio e tinha uma vida muito tranquila. Apesar dos problemas familiares constantes, eu conseguia levar a vida muito bem. Aliás, a pressão dos atritos familiares foram ótimos impulsos para que eu me refugiasse dentro de meus pensamentos, espremesse a minha alma e extraísse boas ideias.
Eu adorava desenhar e tinha essa habilidade. Eu não era bom leitor, na verdade, nem era leitor, eu me limitava a ler por alta os textos obrigatórios na escola. Mas eu gostava de escrever e conseguia contar boas histórias. As histórias que eu escrevia nos exercícios da escola eram bastante criativas e intensas. E muito envolventes. Digo isso baseando-me nas reações de meus colegas. Várias vezes me chamavam em outras turmas para que e pudesse ler as histórias em voz alta. Eu também era fascinado por cinema e TV, e por isso aprendi sozinho e desenvolver flipbooks e logo comecei a explorar ferramentas digitais, começando pelo software da Macromedia, o Flash. Que hoje é da Adobe.
exemplo de flipbook, para quem
não sabe o que é.
Então eu segui o tempo da escola explorando os recursos digitais de fazer animações, passava muito tempo desenhando e inventando personagens com ficha de dados e tudo mais. Escrevia bastante também e cantava. Sério, eu tinha uma banda na qual eu fazia tudo e a banda era horrível, mas há quem gostasse. Eu também era bom no tênis, na ginástica olímpica e, principalmente, no Le Parkour.
(quem quiser, dá pra ouvir meu som aqui: http://bandasdegaragem.uol.com.br/banda/eutimato/)
Contudo, os flipbooks estão encaixotados no alto do meu armário negro. e provavelmente serão relíquias de um tempo em que eu tinha meu talento e inventividade em alta. Os desenhos caprichados estão reunidos tristemente para sempre dentro duas pastas, que ficam dentro de uma bolsa velha de viagem. Minha habilidades nos esportes e inventividades físicas adormeceram e hoje eu estou engordando e mal consigo falar sem perder o fôlego. Porém, naquela época, eu consegui escrever dois livros. E depois, quando já estava me sentindo completamente sozinho na vida, depois que minhas habilidades foram morrendo uma a uma, eu consegui escrever mais dois livros e uns vinte contos.
Por fim, quase dez anos depois, no ano de 2014, eu pedi ajuda ao meu padastro e dei o primeiro passo para realizar uma etapa de algo que tenho como objetivo na vida. Ser escritor. E publiquei, unto a Chiado Editora o meu primeiro livro: Esquimolândia!
Situação do Escritor de Primeira Viagem:
Com a ajuda financeira de minha família, não foi um desafio tão grande publicar o livro. Porém, não pude investir tanto, e por isso a edição é bem mais simples do que eu gostaria. E também não foram impressos muitos exemplares. O verdadeiro desafio tem sido vender os livros.
Quanto aos aspectos físicos do livro, trata-se de uma edição simples. A capa é criativa, eu gostei bastante da imagem escolhida. Pesquisei um pouco mais sobre o trabalho do designer que fez a imagem da capa e descobri que é uma menina Chilena chamada M. J. da Luz. Mas o livro é pequeno e leve, não inspira muita predisposição para investir R$ 30,00 reais. Tem muito livro grande por aí, mais pesado, mais famoso, pelo mesmo valor. Mas eu não posso vender por menos, senão estaria dando o livro de presente (coisa que eu faço muito mais do que deveria... muito mesmo!).
Mas em se tratando do conteúdo do livro, que é realmente o que interessa, de fato. Eu diria apenas que é um livro que eu gostaria de ler. É, de fato, um livro que, - por eu ter muitos exemplares encalhados aqui em casa, enfileirados no nicho preso a parede, - quando eu abro para ler uma cópia, eu sempre caio na risada. É um livro bem humorado e cada personagem e situação descrita, significa algo para mim.
Foi muito delicioso quando eles chegaram,
nesse berço de papelão e sua formação de promessa.
(http://netdiario.com.br/jovem-de-teresopolis-lanca-romance/)
essa foi a primeira matéria que saiu no jornal da minha cidade sobre minha primeira obra.
Profissão Escritor:
Em algum momento da minha vida, há 6 anos atrás, uma de minhas habilidades me colocou no caminho de um ofício. Como tinha conhecimento em softwares de edição de vídeo e animação gráfica 2D e também 3D, comecei a trabalhar com audiovisual em emissoras de Tv locais em Teresópolis. Depois foi admitido em uma agência de publicidade, também na cidade de Teresópolis. Era uma época de muito trabalho. Apesar de estar trabalhando com algo que eu gostava, o ritmo de trabalhar finais de semana e virar noites com frequência estava acabando com minha paz interna. Eu estava me sentindo sufocado e sem minha querida aliada e companheira de sempre: a criatividade e paciência. Como se não bastasse, sem saber como seria o futuro e precisando me direcionar à uma carreira sólida, por que dinheiro é coisa séria e sem ele as coisas ficam complicadíssimas, eu comecei a faculdade de Design Gráfico no centro do Rio de Janeiro, há duas horas de distância da minha cidade. Se antes eu precisava virar noites para dar conta das tarefas na agência, agora eu só tinha a parte da manhã, pois todos os dias, depois do almoço, eu viajava para o Rio de Janeiro, para estudar.
Dois meses depois, recebemos a grande notícia de que minha namorada estava grávida. Uns dois meses depois disso, nós fomos viver juntos e cerca de dois ou três meses depois meu filho nasceu. Nesse ponto eu já estava trabalhando pela manhã na agência de publicidade em Teresópolis, fazendo faculdade no fim da tarde no centro da cidade do Rio de Janeiro, trabalhando para uma produtora de vídeos também no centro do Rio e fazendo diversos freelas nas horas vagas que eu não tinha nunca.
Foi então que a minha vida se tornou um contêiner quente, úmido e sem janelas. Sem poder respirar, eu fui parar no psiquiatra e desenvolvi um sério problema de ansiedade que carrego até hoje. No momento em que vos escrevo, minhas mãos doem e meus pensamentos correm. É difícil manter c concentração.
Eu precisei rever minha vida e minhas possibilidades. Foi aí que decidi largar o emprego na agência de publicidade em Teresópolis e aceitar a oferta de assumir uma carga de trabalho bem maior em um dos freelas e na produtora de vídeo do Rio. O que eu fiz, na verdade, foi trocar seis por meia dúzia. Algum tempo depois, contudo, eu deixei os freelas e foquei na produtora de vídeo e na faculdade. Porém, por ter sido tão prejudicado na faculdade por causa dos trabalhos, eu também deixei aquela bosta pra lá. Tenho mais de vinte matérias pendentes para cursas, mas não sei se vou concluir. Na produtora, as coisas estavam indo bem demais. Fui ganhando cada vez mais e subindo meu padrão de vida. Entretanto, no final do maravilhoso ano de 2014, por eu ter meio que abandonado o resto da faculdade e precisar trabalhar de casa, em Teresópolis, minha demanda de trabalho caiu na produtora e meu salário caiu pela metade. Agora estou devendo até meus rins e dependo da venda dos livros.
Alguns momentos eu penso que o universo conspirou para que eu focasse na minha vontade de ser escritor. Por que eu sinto necessidade de escrever, gosto de escrever, e acredito que tenho capacidade de entreter quem venha a ser leitor meu. Apesar de minha confiança em meu talento, - por meio de minha paciência, senso de observação e concentração - às vezes sinto que se eu der um passo em falto, essa conspiração do universo vai se revelar uma grande armadilha. Foi bom as circunstâncias me afastarem, pouco a pouco, da carreira de audiovisual. Apesar de eu não ter dinheiro, eu tenho muito tempo para focar no livro. Então, por um lado eu estimo demais que me venham novas oportunidade de trabalho em minha área nesse ano de 2015, em prol de minha vida financeira. Mas morro de medo de retroceder todos os passos que venho dando na carreira literária. Me encontro em um limbo, em diversos aspectos.
Esse é meu portfólio de 2012.
Para quem , por acaso quiser conhecer
um pouquinho mais do meu trabalho com audiovisual
Esse é meu portfólio mais atualizado.
Um Pouco Sobre Minha Visão a Respeito de Esquimolândia:
Uma das coisas que me deixa feliz comigo mesmo, quando se trata da escrita, é que, ao ler meu livro impresso, percebi que o escrevi seguindo padrões literários que, na época em que escrevia, eu não conhecia. Por exemplo: eu escrevi Esquimolândia aos 16 anos e na faculdade de design gráfico, quando eu já tinha meus 23 anos, mais ou menos, é que eu fui saber que existia uma coisa chamada "jornada do herói". Que é basicamente, uma estrutura na evolução do personagem ao longo da história. Hoje sei que existe uma escola literária chamada realismo fantástico, ou realismo mágico. Que é a escola literária a qual Esquimolândia pertence. Eu utilizei técnicas dos processos da jornada do herói em Esquimolândia, sem saber. Eu fico confiante quando percebo que escrevi um livro com elementos técnicos que um bom livro precisa ter, há dez anos atrás, sem saber que estava acertando. Por isso confio muito em mim como escritor. Só não confio na minha capacidade de entrar na vida das pessoas para vender livros.
Mas acima de tudo, Esquimolândia é para mim, o mesmo que o Príncipe da Névoa é para Zafón: um livro que eu gostaria de ler aos 16 anos de idade!
esse é o book-trailer que fiz para Esquimolândia
há uns sete anos atrás. Um ano, mais ou menos,
depois de terminar de escreve-lo e quase
dez anos antes de publicá-lo.
esse book-trailer é o mais recente,
fiz alguns meses antes do livro ser publicado.
E acho que é isso que eu quero fazer como escritor. Não tensiono escrever best-sellers com críticas sociais instigantes, ou criticar conceitos polêmicos com grande inteligência e narrativas cultas. Não pretendo presar técnicas elaboradas e dominar estruturas matemáticas na literatura para ser bem conceituado por críticos e outros escritores ferramentais. Não quero escrever para escritores ou críticos, quero escrever para leitores que queiram viver aventuras fora do comum. Quero ser feliz e compartilhar ideias divertidas e interessantes com jovens que queiram uma brecha da realidade.
Eu não vou revisar nada do que eu escrevi, por que estou com muita preguiça...
- Ulisses Alves


0 comentários:
Postar um comentário